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O Caso Laéssio de Oliveira e a Segurança de Obras Raras: Diretrizes para Mitigação de Riscos e Proteção de Acervos

  • Foto do escritor: Glaucia Gomes
    Glaucia Gomes
  • 11 de nov. de 2019
  • 5 min de leitura

Atualizado: 31 de mai.

Estantes altas de biblioteca repletas de obras raras e acervo especial, com escadas pretas e ambiente escuro e silencioso.
Biblioteca e seu acervo de obras especiais e raras.

O Retorno à Atividade e as Novas Vulnerabilidades de Segurança de Acervos (Atualização 2026)


Em fevereiro e março de 2026, Laéssio Rodrigues de Oliveira — que cumpria pena em regime condicional — retornou às atividades criminosas, trazendo à tona um alerta urgente para gestores de patrimônio histórico. Utilizando o mesmo pretexto de décadas atrás, o criminoso agora atua associado a um parceiro antigo e a uma nova integrante, demonstrando que redes de receptação e furto continuam ativas e refinadas.

O caso recente envolveu duas instituições em São Paulo e expõe de forma clara a diferença entre a vulnerabilidade estrutural e a eficiência da segurança preventiva:


1. A Falha Sistêmica: O Furto no Clube Português de São Paulo


Aproveitando-se da boa-fé institucional, o trio acessou a biblioteca do Club Português de São Paulo identificando-se como pesquisadores. Ao solicitarem auxílio a uma funcionária, aproveitaram o momento em que ficaram sozinhos na sala de consulta para subtrair 16 livros centenários.


  • A lição de segurança: Embora toda a ação tenha sido registrada pelas câmeras de monitoramento (CFTV), o trio saiu sem ser interpelado. A ausência de um sistema antifurto físico/tecnológico nas saídas impediu que a segurança fosse alertada em tempo real de que obras restritas haviam deixado o ambiente. O monitoramento passivo (apenas gravar) não impede o dano imediato.


2. A Barreira Tecnológica: O Bloqueio no Instituto Geográfico de São Paulo

Dias depois, o trio tentou acessar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) — instituição que já havia sido vítima de Laéssio em 2016, quando o criminoso furtou documentos raros, depredou e mutilou páginas, gerando prejuízos históricos irreparáveis.

  • A lição de segurança de Acervos: Desta vez, o desfecho foi diferente. Ao tentarem entrar, os suspeitos foram identificados por meio de reconhecimento facial e cruzamento de informações pelos servidores do instituto. A entrada foi sumariamente bloqueada antes mesmo que tivessem acesso às salas de consulta, provando a eficácia do controle de acesso rigoroso na triagem inicial.


3. A Resposta Humana: Suborno e Prisão em São Bernardo do Campo

A prisão definitiva do trio ocorreu em São Bernardo do Campo, após uma investigação cirúrgica da Polícia Federal. O caso revelou o planejamento audacioso de Laéssio: ele tentou subornar o vigilante da instituição cultural Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro. O plano consistia em ter acesso livre à biblioteca, substituir as obras originais por réplicas para mascarar o furto por anos, e remunerar o funcionário pela conivência.


  • A lição de segurança: O elo mais forte da segurança foi o fator humano. O vigilante não apenas recusou a propina como colaborou ativamente com a Polícia Federal, resultando no flagrante e na prisão do trio. Isso reforça que o investimento em treinamento, integridade e conscientização da equipe de segurança é tão vital quanto qualquer investimento em tecnologia de ponta.


Este caso recente demonstra que o furto de obras raras não é um crime do passado. Para os gestores que buscam justificar investimentos em proteção n segurança de acervos, o episódio de 2026 deixa claro: sistemas antifurto integrados, controle de acesso biométrico/facial e profissionais de vigilância bem preparados são os únicos pilares capazes de evit


Laéssio Rodrigues de Oliveira se tornou conhecido no mundo da biblioteconomia por ter se tornado o maior ladrão de artes do Brasil.


Apaixonado pela Carmen Miranda, Laéssio se encantou pela cultura Vintage. Ao ser questionado se já havia ido ao Museu da Imagem e do Som onde havia revistas antigas com a Carmen Miranda como capa e partituras originais de época o balconista de padaria descobriu um novo mundo, percebendo que indo à museus e bibliotecas ele teria acesso à itens raros com valor comercial inestimável. Depois disso, Laéssio não parou mais. Pelo contrário, expandiu “seus interesses”. Não roubava apenas materiais relacionados a sua diva, mas livros que fazem parte da história brasileira e valem milhares de reais (e dólares) no mercado negro.


Cartaz em preto e branco com rosto rasgado e o título cartas para um Ladrão de livros, com alertas em amarelo.
Cartaz de alerta sobre Laessio como ladrão, intitulado "cartas para um ladrão de livros", destacando o risco e preocupação com o roubo de livros nas bibliotecas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Divulgação

…Eu já estava mal-intencionado que se “desse mole” eu ia levar a revista embora porque eu não achava pra comprar e eu queria uma revista com a Carmem Miranda na capa.  Depois que eu furtei a primeira vez eu não parei mais, eu falei” Por que que eu vou gastar comprando se nas bibliotecas tem sobrando e está lá pra gente pegar e levar embora… Laéssio Rodrigues de Oliveira em trecho do documentário “Cartas Para um Ladrão de Livros” dos diretores Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini.
Laéssio sorridente algemado sentado em cadeira, em sala fria de azulejos com maca e armário.
Laéssio algemado na prisão, sentado e sorridente, aparentando estar sem remorso.

Laéssio começou a ficar conhecido em 1998, quando furtou da Fundação Biblioteca Nacional de São Paulo 14 revistas e jornais antigos. Na época, o material foi avaliado em US$ 750.000.


Segundo a polícia, ao longo dos anos, ele furtou revistas, livros, pinturas na Biblioteca Mário de Andrade, Palácio do Itamaraty, Fundação Oswaldo Cruz, bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP), Museu Nacional, entre outros. Um de seus furtos mais famosos foi o das obras de autoria do alemão Emil Bauch, que representam o Recife e foram impressas na Europa em 1852. O ladrão as roubou e vendeu para Ruy de Souza e Silva que, posteriormente as vendeu para o Itaú Cultural em 2005.


A audácia deste ladrão é tão grande que no início de sua “carreira” no roubo de livros raros ele chegou a montar uma “barraca” na Paulista onde vendia revistas e jornais antigos. Mais tarde ele aprimorou suas técnicas e começou a participar de leilões no mercado negro onde fez fortuna.


Sua fascinação pelo mundo das artes e da literatura o tornou em um dos presidiários mais cultos das prisões pelas quais passou. Tendo se especializado e até mesmo cursado biblioteconomia este personagem icônico de destacou ajudando outros presidiários a escreverem cartas e a recorrerem na Justiça a fim de diminuírem suas penas.


O maior ladrão de obras raras do Brasil já foi preso em diversas ocasiões, sendo solto em seguida. Na “saidinha” para o dia das crianças, Laéssio, escapou da prisão em São Paulo onde cumpria pena de mais 10 anos por furto, tendo sido recapturado na última quinta-feira, dia 07 de Novembro. Condenado em segunda Instância, ele poderá ser solto em breve.


Até quando seu acervo estará exposto à pessoas como o Laéssio?  Converse com um de nossos especialistas e descubra o sistema antifurto mais adequado para a sua demanda. Protegemos todo tipo de acervo bibliográfico, incluindo obra raras.



Referências:




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